Mundo Jovem: Mundo cão!!!

Olhar a realidade dos jovens hoje é apenas um pequeno reflexo do mundo que estamos construindo!

Não posso deixar de ficar perplexo, e por isso vou direto ao assunto: Juventude.

É impossível não percebermos que boa parte de acontecimentos que nos transtornam e deixam marcas profundas em nossa sociedade vem da juventude. Drogas, violência, acidentes de transito, festas regadas a álcool e outras substancias ilícitas correndo soltas inclusive para menores. Estamos num jogo de hipocrisia e falta de compromisso de todos (sim todos). Enquanto uns se arvoram em culpar os governos outros se digladiam dizendo que a culpa é das famílias que perderam o controle dos mais jovens. Cada um diz o que quer e por ai vai… Todos errados e todos certos? O fato concreto é que os jovens pouco se mobilizam atualmente, como não participei dos anos de chumbo e ditadura quando aparentemente todo jovem tinha ideal fica a dúvida… Será que nossos jovens do passado eram assim tão melhores? Acompanhe estas frases: “Nossa juventude (…) é mal educada, zomba da autoridade e não tem nenhuma espécie de respeito para os mais velhos. Nossas crianças de hoje (…) não se levantam quando um ancião entra numa sala, respondem a seus pais e tagarelam em lugar de trabalhar. São simplesmente más” (Sócrates, 470-399 a.C) “Este mundo atingiu um estagio critico. As crianças não escutam mais seus pais. O fim não pode estar longe” (sacerdote egípcio, 2000 a.C)

“Esta juventude está corrompida até o mais profundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Não serão nunca como a juventude de antigamente. Os de hoje não serão capazes de manter nossa cultura” (escrito num jarro de argila nas ruínas da Babilônia: + de 3000 a.C ).”

Não adianta apenas ficar apontando o dedo, esse momento que determinamos juventude precisa de espaço para respirar, mas também orientação para não se perder. No passado uma coisa era certa, era mais fácil distinguir por aspectos culturais e até religiosos questões de ética, moral e tradição. O mundo realmente era mais monocromático.

O advento da industrialização e da economia de mercado trouxe pelo menos para nós de cultura ocidental um admirável mundo novo. O mundo da felicidade encontrada no balcão. Sejam remédios que prometem emagrecer, curar a depressão e a impotência sexual, mas também,  alimentos transgênicos , roupas , veículos, jogos e tantas e quantas possibilidades nosso bolso permitir. Nossa extravagância materialista tem seu preço. Numa sociedade onde certo e errado é questão de ponto de vista tudo se torna mais complexo. As chamadas minorias que antes eram colocadas em condições de cidadãos de segunda classe hoje gozam de seus direitos e possibilidades (ainda não plenamente atingidos, mas com certeza tem suas vozes ouvidas). O mundo mudou e temos de ficar atentos para não perdermos o bonde da história.

Viver de saudosismo acaba se tornando uma atitude pouco produtiva. O saudosista é também um pessimista fica a olhar um passado que com certeza não se repetirá e acaba sendo um cético em relação a tudo de bom que ainda temos e poderemos fazer. Diante de nós se amontoam possibilidades e oportunidades, nunca avançamos tanto cientificamente, mas ao mesmo tempo a banalização da violência é uma preocupação constante.  E aqui me coloco como um sujeito que odeia ficar inerte diante de tantas barbaridades. Essa semana trabalhava com algumas turmas que leciono sobre os três jovens de Lindóia interior de São Paulo que entediados de suas boas vidas resolveram se divertir batendo e amarrando um mendigo, para aliviar o tédio. http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2011/02/cameras-de-transito-flagram-jovens-agredindo-morador-de-rua-em-lindoia.html

Contudo não precisamos ir tão longe em um curto intervalo de tempo tivemos dois jovens assassinados em Patos de Minas. Tiros que ceifaram de forma cruel vidas e interromperam o futuro desses dois desafortunados. Porém nessas histórias em geral não temos “anjos”, mas sim rixas, brigas, gangues, controle por ponto de drogas, dívidas que são pagas com sangue. E cada crime clama vingança de mais sangue que mais cedo ou mais tarde será derramado.

Temos de entender que fatos como esse deixaram a muito de serem pontuais ou raros até porque boa parte das vitimas não registra ocorrência. Nas periferias a violência aparece tendo como pano de fundo as drogas e os acertos de conta por motivos banais. E ao olhar para nós que somos adultos será que estamos sendo um bom espelho para estes jovens que ai estão? A impressão que tenho e aqui não utilizo nenhuma referencia cientifica, apenas uma estranha sensação que invertemos tão rapidamente certos valores que os filhos dessa geração não conseguem mais olhar para os adultos e desejar ser como eles, e sim ter o que eles têm uma pesquisa recente trouxe um dado interessante: mais de 70% de jovens entrevistados tinham o sonho de serem ricos. Nada de salvar a Pátria ou de fazer grandes gestos heróicos, o grande objetivo é ter dinheiro para comprar tudo aquilo que é anunciado de forma constante na TV, internet, outdoors e etc. (nesse caso nada muito diferente do mundo adulto que há tempos já se entregou aos caprichos do mercado e consumo).

O contra ponto é que ainda percebo jovens com uma extraordinária capacidade de questionamento e inteligência. Grupos que ainda discutem política e tem prazer em buscar um mundo melhor. Observo os grupos de jovens que tendo por base uma Igreja ou Paróquia buscam auxiliar outros jovens principalmente em suas escolhas e projetos de vida e organizações culturais de juventude que utilizam o teatro e a dança como alternativas ao esquema barzinho e festas. Nos falta sem dúvida representantes estudantis de qualidade que não apareçam somente em época de fazer carteirinhas para desconto em cinema e Fenamilho. Grêmios estudantis praticamente desapareceram. Os jovens precisam se mobilizar mais. E quando penso nisso uma expressão me vem à mente. POLITICAS PUBLICAS PARA JUVENTUDE.

Ajudar a juventude a se encontrar é ajudar a nós mesmos, enquanto nos perdemos em debates infindáveis, toda uma geração vai morrendo por ai uns de tiro, outros de descaso, outros ainda são apenas sombras vazias e sem propósito esperando a próxima festa.

Colocar esses jovens em perspectiva e no centro das atenções vai nos fazer bem, mas não somente para falar de juventude, mas com eles. É preciso ter a paciência de ouvi-los e ajudá-los. Num futuro próximo vou falar sobre o Conselho Municipal da Juventude e como este simples instrumento poderá fazer a diferença na vida de tantos. Pense Nisso e faça a diferença!!!